O Manganês (Mn) é um elemento químico e um mineral essencial para a saúde humana e de muitos outros organismos vivos. Embora necessário em quantidades muito pequenas (sendo classificado como um oligoelemento ou micronutriente), ele desempenha papéis vitais em uma variedade de processos biológicos. Este artigo explora em detalhes o que é o manganês, suas funções, fontes, necessidades diárias, e os riscos associados tanto à sua deficiência quanto ao seu excesso.
O que é o Manganês?
Quimicamente, o manganês é um metal de transição. Biologicamente, é um micronutriente essencial, o que significa que o corpo não pode produzi-lo e deve obtê-lo através da dieta para funcionar corretamente. Ele atua principalmente como um cofator, ou seja, uma molécula “ajudante” necessária para a ativação e funcionamento de diversas enzimas.
Funções Essenciais no Organismo
O manganês está envolvido em múltiplos processos fisiológicos cruciais:
- Metabolismo de Macronutrientes: É fundamental para enzimas envolvidas no metabolismo de carboidratos (como a gliconeogênese), aminoácidos e colesterol.
- Formação Óssea e Tecido Conjuntivo: Atua como cofator para glicosiltransferases, enzimas necessárias para a síntese de proteoglicanos, componentes essenciais da cartilagem e do osso. Contribui para a saúde e desenvolvimento ósseo.
- Defesa Antioxidante: É um componente chave da enzima manganês superóxido dismutase (MnSOD), localizada principalmente nas mitocôndrias (as “usinas de energia” das células). A MnSOD é uma das principais defesas do corpo contra os danos causados pelos radicais livres (espécies reativas de oxigênio), protegendo as células do estresse oxidativo.
- Função Cerebral e Nervosa: O manganês desempenha um papel no funcionamento normal do cérebro, incluindo a neurotransmissão. No entanto, o excesso de manganês é neurotóxico.
- Coagulação Sanguínea: Participa na ativação da protrombina, um fator de coagulação, em conjunto com a Vitamina K.
- Ciclo da Ureia: Atua como cofator para a enzima arginase, importante na remoção do amoníaco do corpo.
- Reprodução e Desenvolvimento: É necessário para o desenvolvimento normal e funções reprodutivas.
Fontes Alimentares de Manganês
Felizmente, o manganês está amplamente distribuído nos alimentos, especialmente nos de origem vegetal. Boas fontes incluem:
- Grãos Integrais: Arroz integral, aveia, pão integral, quinoa, trigo sarraceno.
- Oleaginosas e Sementes: Nozes, castanhas (especialmente a do Pará), amêndoas, pecans, sementes de abóbora, linhaça, gergelim.
- Leguminosas: Feijão, lentilha, grão de bico, soja.
- Vegetais Folhosos Verdes: Espinafre, couve.
- Frutas: Abacaxi, mirtilos (blueberries), açaí.
- Chás: Especialmente o chá preto.
- Outros: Mariscos, tofu, batata-doce, chocolate amargo.
A água potável também pode contribuir para a ingestão de manganês, mas a quantidade varia muito dependendo da fonte.
Necessidades Diárias (Ingestão Adequada – AI)
Como os dados são insuficientes para estabelecer uma Dose Dietética Recomendada (RDA), as necessidades de manganês são expressas como Ingestão Adequada (AI – Adequate Intake). Os valores de AI para adultos são:
- Homens adultos (19+ anos): 2,3 mg/dia
- Mulheres adultas (19+ anos): 1,8 mg/dia
- Gestantes: 2,0 mg/dia
- Lactantes: 2,6 mg/dia
Para crianças e adolescentes, os valores são menores e variam com a idade. Geralmente, uma dieta variada e equilibrada fornece quantidades suficientes de manganês para atender a essas necessidades.
Deficiência de Manganês
A deficiência de manganês é muito rara em humanos, justamente pela sua ampla disponibilidade nos alimentos. Quando ocorre (geralmente em estudos controlados ou situações muito específicas), os sintomas podem incluir:
- Alterações no crescimento e desenvolvimento esquelético (ossos mais finos ou curtos).
- Metabolismo anormal de carboidratos e gorduras.
- Erupções cutâneas (dermatite).
- Alterações no humor.
- Redução da fertilidade.
Toxicidade (Excesso de Manganês)
Ao contrário da deficiência, a toxicidade por manganês é uma preocupação mais significativa, embora geralmente não ocorra pelo consumo de alimentos. O risco principal está associado a:
- Inalação Crônica: Exposição ocupacional em mineração, soldagem e fundição de aço, onde partículas de manganês no ar são inaladas e absorvidas diretamente pelo cérebro, bypassando os mecanismos de controle do fígado.
- Água Contaminada: Consumo de água potável com níveis excessivamente elevados de manganês.
- Nutrição Parenteral: Em pacientes que recebem nutrição intravenosa de longa duração, se as soluções não forem adequadamente monitoradas.
- Doença Hepática Crônica: Pessoas com problemas no fígado têm dificuldade em excretar o excesso de manganês.
O excesso de manganês acumula-se principalmente em partes do cérebro que controlam o movimento, levando a uma condição neurológica chamada “manganismo”. Os sintomas são muito semelhantes aos da Doença de Parkinson e incluem:
- Tremores.
- Rigidez muscular.
- Movimentos lentos (bradicinesia).
- Problemas de equilíbrio e marcha.
- Distúrbios da fala.
- Alterações de humor, irritabilidade, comportamento compulsivo, déficits cognitivos.
É importante notar que os danos neurológicos causados pelo manganismo podem ser permanentes.
Interações com Outros Nutrientes
Altas ingestões de ferro, cálcio e fósforo podem diminuir a absorção de manganês no intestino, pois competem pelos mesmos transportadores.
Aplicações Industriais
Fora da biologia, o manganês é crucial na indústria, principalmente na produção de ligas de aço, conferindo-lhe maior resistência, dureza e durabilidade. Também é usado em baterias (pilhas alcalinas e recarregáveis), como pigmento (dióxido de manganês), em fertilizantes e na fabricação de vidro.
O manganês é um micronutriente vital que desempenha papéis essenciais no metabolismo energético, na saúde óssea e na proteção antioxidante. Embora a deficiência seja rara devido à sua presença em muitos alimentos comuns como grãos integrais, nozes e leguminosas, a toxicidade por excesso – especialmente por inalação ou água contaminada – representa um risco neurológico sério. Manter uma dieta equilibrada geralmente garante a ingestão adequada, e a preocupação maior reside na exposição ambiental ou ocupacional excessiva. Como sempre, o equilíbrio é a chave para aproveitar os benefícios deste mineral essencial sem incorrer nos riscos do seu excesso.
Lembre-se: Este artigo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde qualificado.